Investimento público aumenta 8,3% no primeiro semestre

Investimento público aumenta 8,3% no primeiro semestre

Investimento público aumenta 8,3% no primeiro semestre

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Depois de mostrar uma queda brutal, de quase 40% no ano passado, em meio ao ajuste promovido pelo então ministro Joaquim Levy, os investimentos públicos parecem ter voltado a uma trajetória de alta este ano. Mesmo com a troca de governo em maio, com mudança no primeiro escalão de vários ministérios, os investimentos diretos da União subiram 8,3% no primeiro semestre de 2016, na comparação com os mesmos meses de 2015. Segundo levantamento da ONG Contas Abertas feito com exclusividade para o Valor.
De janeiro a junho, o governo federal investiu R$ 20,8 bilhões, contra R$ 19,2 bilhões em igual período do ano passado, já considerando o efeito da inflação no período. O montante de investimentos, porém, fica ainda distante do observado nos anos anteriores ao ajuste, quando vinham em forte alta. Em 2014, por exemplo, o valor aplicado em obras e outros projetos somou R$ 32, bilhões apenas no primeiro semestre.
Os dados orçamentários constam do Sistema Integrado de Administração Financeira do governo federal, o Siafi, e são um pouco diferentes daqueles apresentados pelo Tesouro Nacional no fim de cada mês. Até maio, segundo os dados do Tesouro, a redução dos investimentos era de 4%, em termos nominais, queda já bem menos expressiva do que no ano passado.
Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, explica que, embora apresentem tendência semelhante, o levantamento no Siafi diverge em alguns conceitos dos números do Tesouro. Enquanto o sistema considera a data da ordem bancária emitida, por exemplo, as estatísticas fiscais divulgadas pelo Tesouro consideram a data de saque efetivo da Conta Única.
Para Castello Branco, o levantamento indica que há uma “luz no fim do túnel” para o investimento público, depois da queda de mais de 40% no ano passado, o que tende a animar também o setor privado. “Dentro do cenário de grave recessão que o país atravessa, chega um determinado momento em que continuar realizando ajuste nos investimentos trava ainda mais a economia”, diz.
O aumento dos investimentos é positivo, avalia o economista, apesar da projeção de déficit primário de R$ 170,5 bilhões para 2016. “Essa alta não aconteceu apenas no governo do presidente interino Michel Temer, era uma mudança já sinalizada pelo ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa”, diz Castello Branco.
A maior parte dos investimentos realizados ao longo do primeiro semestre foi, na verdade, acerto de pagamentos pendentes do ano passado, os chamados restos a pagar. Dos R$ 20,8 bilhões gastos em obras e equipamentos neste ano, 90% foram destinados para o pagamento de despesas de anos anteriores, percentual semelhante ao de 2015. Com isso, o saldo de restos a pagar em aberto recuou R$ 9 bilhões, para R$ 54 bilhões.
Já os pagamentos referentes a novas obras somaram R$ 2 bilhões, crescimento de R$ 330 milhões em relação ao primeiro semestre de 2015. Castello Branco destaca, porém, o aumento do empenhado em 2016, que subiu R$ 5,3 bilhões na mesma comparação.Embora nem todo o empenho seja efetivamente gasto no ano, essa é uma sinalização de que os investimentos podem continuar a subir nos próximos meses, avalia.
O aumento do investimento no primeiro semestre aconteceu, pondera Castello Branco, mesmo com o impeachment da presidente Dilma Rousseff em maio, que reduziu o volume de investimentos naquele mês para R$ 2,6 bilhões. Para ele, com a troca de governo e dos titulares de várias pastas, é provável que os pagamentos tenham ficado em suspenso, mas em junho houve aumento do volume de recursos despendidos com investimentos, para R$ 3,4 bilhões.
O levantamento mostra que o ministério que mais investiu foi Transportes, com R$ 5,6 bilhões, aproximadamente 25% do total, aplicados principalmente em obras rodoviárias nas regiões Norte e Nordeste.
Em segundo lugar aparece o Ministério da Defesa, com R$ 3,9 bilhões de investimentos entre janeiro e junho deste ano. Para Castello Branco, esse é um aspecto menos positivo dos dados. Em vez de investimentos que movimentem o setor de construção civil, o que poderia dar fôlego para a atividade econômica, parte dos recursos foi direcionado para a compra de caças da empresa sueca Saab, no valor de R$ 625 milhões. “Tanto é que, na lista de principais beneficiados, a Saab aparece em primeiro. Então esse não é um investimento que movimenta muito a economia”, disse.
Dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a queda dos gastos foi de 12,8%, mas para Castello Branco a base de comparação foi decisiva para essa evolução. No ano passado, em janeiro, o governo pagou uma quantia relevante, de R$ 2,1 bilhões, em subsídios do Minha Casa, Minha Vida, que foram “pedalados” em 2014.
Esse acerto de contas inflou os números de 2015, diz Castello Branco. Se as inversões financeiras, rubrica em que os subsídios para o programa são contabilizados, forem desconsideradas, os investimentos no PAC também tiveram alta no primeiro semestre, de 18,4% em termos reais.

 

Fonte – Valor Econômico / Revista Ferroviária

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