Investimento deve ganhar fôlego com infraestrutura

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Empresários e executivos do setor de infraestrutura demonstram otimismo “cauteloso” sobre a perspectiva de retomada dos investimentos, que deverá acontecer, segundo eles, justamente pela via das obras estruturantes, favorecidas por uma nova agenda de leilões e concessões. Mas, em geral, as lideranças ouvidas pelo Valor, de áreas como siderurgia, bens de consumo e tecnologia, entre outras, concordam que o investidor precisa ainda vislumbrar um ambiente regulatório mais confiável e previsível, a fim de aportar recursos novamente em projetos concretos.

A promoção de uma nova agenda de leilões, com regras claras e perenes, vai atrair o interesse do setor privado, na visão de Renato Vale, presidente da CCR, favorecendo a retomada. “O que precisamos é de um cenário de previsibilidade, com a manutenção e o aperfeiçoamento do marco regulatório das concessões.”

“A retomada dos investimentos deve se dar pelos setores de infraestrutura, apoiando a criação de empregos a partir de 2018”, prevê João Miranda, presidente da Votorantim. Para ele, a intensificação dos investimentos, no entanto, dependerá da “manutenção da confiança dos investidores na saúde fiscal do Brasil, assim como de uma transição democrática nas eleições majoritárias de 2018, que assegure regras de jogo transparentes e em prol de um sadio ambiente de negócios”.

Artur Grynbaum, presidente do grupo O Boticário, também aposta que a aprovação das reformas da Previdência e trabalhista vão trazer “ares melhores”. “Após as reformas, eu acredito que alcançaremos uma recuperação mais rápida, porque vamos tratar do que é primordial para o país, que é a geração de emprego e de oportunidade para as pessoas poderem ter uma vida melhor. De modo geral, os investimentos voltarão assim que as empresas tiverem uma sinalização de que as reformas serão feitas e de que a forma de gerir o país está mudando.”

Para Marco Stefanini, CEO global da Stefanini, um dos pontos que contribuem com essa expectativa mais positiva é a Lei da Terceirização. “A maioria das reformas apresentadas pelo governo faz parte de uma agenda positiva que trará o Brasil para um patamar melhor de investimento e, consequentemente, de crescimento”, diz.

Segundo Stefanini, a Lei da Terceirização regulamenta a relação do prestador de serviço com seu cliente, retirando desta as incertezas jurídicas. ” Ao desburocratizar, eliminando algumas amarras das empresas, a economia começa a fluir melhor.”

Na opinião de Li Yinsheng, presidente da CTG Brasil, gigante chinesa do setor de energia, por se tratar de uma atividade regulada, a qualidade e a solidez do marco regulatório são essenciais para o sucesso deste setor. “O ambiente de negócios no Brasil pode ser desafiador no momento, mas nossa decisão de investir no país foi baseada em uma visão positiva de longo prazo”, afirma.

Ítalo Freitas, presidente da AES Tietê, considera que o país já entrou em uma nova fase que permite visualizar “uma melhora e retomada da confiança do consumidor e, consequentemente, da economia”. Para Freitas, o Brasil tem um mercado promissor no campo da energia elétrica, com oferta de novas tecnologias que trazem eficiência ao sistema interligado nacional. “Agora é a hora de ganharmos mais eficiência. Quando a demanda por energia vier, queremos ter capacidade de resposta.”

Na área de logística marítima, já há sinais positivos, de acordo com Julian Thomas, diretor superintendente da Aliança Navegação e Logística e Hamburg Süd. “Embora tenhamos que ser cautelosos com os números, afinal eles se referem apenas ao primeiro bimestre, percebemos um ânimo maior nos clientes, que estão retomando os investimentos em nossos serviços. Costumo dizer que o ânimo já é metade de uma batalha com grandes chances de ser bem-sucedida.”

Pedro Wongtschowski, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), vê que os sinais de queda da produção industrial e do PIB também “estão cada vez menos adversos”, o que abre a possibilidade da volta do crescimento da indústria. Mesmo assim, a retomada, na opinião de João Carlos Brega, CEO da Whirpool, “virá em diferentes velocidades para cada setor”.

Ronaldo Iabrudi, CEO do GPA, maior grupo varejista do país, nota que os investimentos, na realidade, só se adaptaram ao cenário, “como um reflexo natural do ambiente político e macroeconômico que vivemos nos últimos três anos, em setores como a indústria ou varejo, por exemplo”. “O agribusiness, pelo contrário, tem seus investimentos crescendo gradativamente. Este ano, por exemplo, teremos uma safra recorde de grãos”, afirma.

No setor de construção, a queda dos juros ainda não se mostra suficiente para atrair de volta os compradores de imóveis, na visão de Meyer Nigri, diretor presidente da Tecnisa.

“Os juros estão caindo, mas a queda precisa ser maior do que vem ocorrendo. O desemprego está gigantesco, e os investidores só voltarão ao mercado e a economia irá andar quando a taxa de juros cair.”

Rubens Menin, fundador da MRV Engenharia, concorda que o processo de recuperação vai ser estimulado “com a redução dos juros básicos da economia, além dos patamares já alcançados”.

Fundador e presidente do conselho de administração da EZTec, Ernesto Zarzur também ressalta a questão da insegurança jurídica, que, segundo ele, “desincentiva” os investimentos. “Tenho a sensação de que o governo está tão envolvido com os desafios das reformas que não tem tempo para olhar com cuidado o setor da construção civil. O governo esqueceu os incorporadores, o potencial de geração de emprego, renda, tributos que este setor proporciona. Isto nos leva à paralisia”, reclama.

“Precisamos desenvolver projetos com regras claras e robustas, segurança jurídica, retorno atraente aos investidores de forma a competir em pé de igualdade com projetos em outros países com maior estabilidade”, concorda Claudia Sender, presidente da Latam Brasil.

Pelo tamanho de seu mercado, o Brasil é, para o presidente do Google Brasil e VP do Google Inc., Fábio Coelho, uma “potência digital”. “Já estamos em quinto lugar no mundo em número de usuários conectados, graças à popularização dos smartphones e ao entusiasmo dos brasileiros por novas tecnologias. Essa digitalização crescente traz eficiência e oportunidades que ficam ainda mais evidentes num cenário pós-recessão.”

Entretanto, o país precisa investir no ensino de qualidade para alcançar melhores índices de produtividade, na opinião de Rodrigo Galindo, CEO da Kroton. “As reformas são condição para a mudança, mas sozinhas não resolverão todos os problemas. Enquanto não tivermos educação de qualidade que permita o aumento de produtividade para o Brasil teremos sempre um gap em relação aos demais países que já enfrentaram esse problema.”

Toda a instabilidade política e os problemas estruturais, além do Custo Brasil, indicam que o país tem ainda “um longo caminho a percorrer”, nas palavras de Benjamin Baptista, presidente da ArcelorMittal Brasil.

Entretanto, a crise serviu para ensinar o país “que não existem fórmulas mágicas para recuperação da economia, para políticas distributivas de renda ou para o resgate da confiança dos investidores se estas não estiverem alicerçadas em bases concretas”, considera David Laloum, presidente da Y&R.

Fonte – Valor Econômico

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